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.::CIGARRO MATA QUATRO PESSOAS POR DIA EM BH
(29/08/2008) Voltar Estudo mostra que, por ano, o hábito causa quase 1,4 mil mortes na capital mineira. O SUS gasta R$ 388,6 milhões anuais no tratamento de doenças causadas pelo tabaco no país Paulo Henrique Lobato - Estado de Minas Beto Novaes/EM/D.A Press Ex-fumante, João Batista de Souza faz quimioterapia e lamenta tempo que perdeu com o vício Esta sexta-feira, Dia Nacional de Combate ao Fumo, o cigarro matará quatro belo-horizontinos. Nos outros 365 dias do ano, terá acabado com a vida de mais 1.390 moradores da capital. Os números fazem parte da dissertação de mestrado Mortalidade atribuível ao tabagismo no Brasil, defendida pelo médico Paulo César Rodrigues Pinto Corrêa, sob a orientação da professora Sandhi Maria Barreto, no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisa permite uma comparação impressionante: a quantidade de fumantes que morrem anualmente na cidade (1.394 pessoas) é muito maior do que a de vítimas de homicídios: 959 assassinatos em 2007, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). O levantamento do pneumologista alerta ainda que, a cada 12 meses, quase 25 mil tabagistas perdem a vida em 16 das 27 capitais do país (veja quadro). Leia mais: Combate ao fumo passivo é alvo de campanha Ex-fumantes sentem conseqüências do consumo Vote: O cigarro deve ser proibido em todos os locais públicos? Os números ajudam a entender o alto gasto do poder público com doenças causadas pelo tabaco. Nas contas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão do governo federal, 8% dos gastos com internação e quimioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) – ou R$ 338,6 milhões – são atribuídos ao fumo. São pouco mais de 815,9 mil salários-mínimo (R$ 415). Assista na TV Alterosa Para achar o total de mortes em BH e nas outras 15 cidades, o médico se debruçou nos registros de óbitos do Ministério da Saúde referentes a adultos com mais de 35 anos. As planilhas pesquisadas são de 2003: pode parecer distante, mas a ciência considera as estatísticas atuais, pois o intervalo em relação a 2008 é relativamente curto para que ocorra grande diferença no resultado. “Nas 16 cidades, 177.543 pessoas com mais de 35 anos perderam a vida por diversos motivos. Dessas, o tabaco foi responsável por 24.222 mortes (13,64%). Em BH, 45% dos óbitos por angina e infarto nos homens entre 35 e 64 anos são causados pelo cigarro. Já 83% das mortes por bronquite crônica e enfizema nas mulheres com a mesma faixa etária são devidas ao fumo. Se ninguém mais fumasse na capital, haveria uma redução de câncer de pulmão de 91% e 77%, respectivamente, entre homens e mulheres de 35 a 64 anos. Os dados são essenciais para a definição de prioridades de políticas públicas em controle do tabagismo”, defende o especialista. O estudo aponta que São Paulo é a capital com maior número absoluto de vítimas do cigarro: 9.201 mortes naquele ano. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro (5.076), Porto Alegre (1.573), Belo Horizonte (1.394), Curitiba (1.360) e Recife (1.029). Os registros de óbitos mostram ainda que o fumo mata de várias formas, mas 65% das quase 25 mil vidas perdidas no período analisado foram por apenas quatro enfermidades atribuídas ao tabaco: 4.419 morreram por obstrução crônica das vias aéreas, 4.417 de doença cardíaca isquêmica (angina e infarto), 3.682 de câncer do pulmão e 3.202 de doenças vasculares cerebrais. A psicóloga Maria Isabel Lisboa, de 49 anos, correu o risco de fazer parte da triste estatística. Depois de fumar por 18 anos, teve muita força de vontade para largar o vício. “Comecei a fumar na adolescência, como muita gente da minha época. Era bonito. Em menos de três anos, consumia um maço por dia. Quando larguei o tabaco, eram duas cartelas. Tinha dificuldades para andar, respirar e dormir. Hoje, tudo está tranqüilo”, diz. Mas, com pesar, conta que, mesmo sem fumar durante a gestação, seu filho nasceu com problema respiratório. “Parei em razão da gravidez. Apesar disso, ele tem bronquite.” O autor do estudo alerta que o cigarro não causa males imediatos: “O fumo é uma caderneta de poupança de doenças”. Isso ajuda a entender o porquê de, nas 16 capitais pesquisadas, terem morrido mais homens do que mulheres: 16.896 a 7.326. “Para cada pessoa do sexo feminino que morre em razão do tabaco, há 2,31 do masculino. A diferença se deve à iniciação dos homens no tabagismo antes das mulheres. A expectativa é que a relação caia nos próximos anos, pois, nas últimas décadas, aumentou o número de mulheres que fumam.” A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o tabaco matou cerca de 200 milhões de pessoas no século passado e que, nos próximos 100 anos, o número de vítimas será em torno de 1 bilhão. A coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde, Maria das Graças Rodrigues, chama a atenção para que a pessoa evite o primeiro contato com o cigarro, pois só a heroína, a cocaína e o crack viciam mais do que a nicotina. “O fumo tem cerca de 5 mil substâncias tóxicas e provoca várias doenças.” Palestra O poder público promove hoje várias atividades no combate ao fumo, mas o autor da pesquisa também vai contribuir com seu conhecimento. Entre as 11h e as 12h, o médico Paulo César Rodrigues Pinto Corrêa vai proferir a palestra Tabagismo: principal causa de morte previnível, que ocorrerá na sala 34 da faculdade de medicina da UFMG, na Avenida Alfredo Balena, 190, no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste de Belo Horizonte. Ele vai alertar sobre os males do fumo e propor ações para pelo menos minimizar os impactos do cigarro. A entrada é franca. Combate ao fumo passivo é alvo de campanha Ex-fumantes sentem conseqüências do consumo |
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