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.::Petrobrás e Zanettini planejam obra memorável   (17/06/2010)


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       A Petrobrás tem sido pioneira no desenvolvimento de tecnologias que a colocaram entre as grandes empresas do setor petrolífero num contexto global. Como não podia deixar de ser, uma das áreas da companhia que mais recebe atenção é justamente o de pesquisa e desenvolvimento. Assim, quando precisou ampliar seu Centro de Pesquisas no Rio de Janeiro não deixou por menos: Contratou Ziebert Zanettini -- um dos mais renomados arquitetos brasileiros -- que se encarregou de desenvolver um projeto com abordagem e soluções que merecem destaque.

       
Depois de pronto, o complexo abrangerá 152.447m² de áreas dedicadas à produção do conhecimento.

       O projeto da expansão do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes) foi feito para uma de suas áreas mais importantes: os laboratórios onde são desenvolvidas novas tecnologias da empresa. Todo o complexo foi pensado a partir de soluções construtivas industrializadas e compreenderá uma área de 152.447m² totalmente dedicadas à produção de conhecimento. E esta produção começou pelo projeto -- apenas esta etapa demandou um ano e meio resultando em 5.200 pranchas de desenhos.

       Os traços marcantes de Zanettini se incorporaram ao projeto. Segundo o arquiteto e sua equipe, a ampliação do Cenpes ofereceu uma oportunidade única para colocar em prática os fundamentos que ele define como arquitetura contemporânea e ecossistêmica. Procurou-se usar tecnologias limpas, principalmente pelo aço nos processos construtivos e pelo respeito à ecologia no entorno.

       Foram necessárias 5.200 pranchas de desenho para a implantação e detalhamento.

       
A proposta

       O projeto se caracteriza por um partido horizontal, ao longo do qual se distribuem diversos edifícios alternando áreas cobertas e descobertas. Isto porque, frente às condições climáticas locais, uma das preocupações foi em adotar de estratégias de sombreamento e ventilação. Para manter o conforto ambiental a mata original da região foi incorporada ao projeto, não como um mero elemento envoltório, mas sim impregnada ao complexo, possibilitando a formação de espaços sombreados.

       A inovação se mostra em todos os aspectos do projeto, que é bem extenso e integra e coordena arquitetura, estrutura, sistemas de eco-eficiência, paisagismo, recuperação da paisagem, comunicação visual, economia, planejamento, organização e racionalidade da obra. Como se não bastasse, foi concebido com a preocupação de desenvolver tecnologia, utilizando materiais nacionais compatíveis com a realidade econômica brasileira.

       

Implantação do projeto:
1 - CIPD - Rio
2 - Central de Utilidades
3 - Restaurante
4 - Orquidário
5 - Laboratórios 6 - Prédio Central
7 - Centro de Convenções
8 - Galería Subterrânea
9 - CRV e Holospace
10 - Empreiteirópolis
11 - Oficinas - Almoxarifado - RSUD

       

       
Aliás, não só os materiais como também os especialistas brasileiros superaram as expectativas de desempenho, tendo em vista a complexidade e tamanho da obra. Foram contratados 140 especialistas de diversas áreas e, segundo Zanettini, todas as disciplinas criaram, inovaram e comprovaram sua influência no resultado final. A preocupação com cada detalhe resultou num processo sistematizado, estruturado e que será transferido para outros projetos da Petrobrás e de seus parceiros.

       O projeto

       Para Zanettini, o partido adotado reflete a condição de obra aberta, ou seja, entende o espaço e o tempo em função da evolução das necessidades, imprimindo flexibilidade às soluções permitindo ampliações e reformulações, de acordo com novos usos que se tornem necessários à medida em que o complexo e as tecnologias forem evoluindo.

       
Auditório do Centro de convenções
A ampliação do Cenpes precisava atender a de inúmeras variáveis. Para começar, precisava ser uma extensão natural das instalações existentes, principalmente pela necessidade de aproveitar as centrais de energia, de controle e de computação (CIPD – RJ), mas também havia necessidades novas como a inclusão de um Centro de Convenções. Este necessitava conter, além do auditório, também salas de reuniões, lanchonete e área de eventos. Precisava ficar próximo da edificação atual, assim foi colocado na extremidade oposta da passagem subterrânea e constitui a porta de entrada ao público que a ele se dirige, possibilitando seu uo não só pela Petrobrás mas também para os mais diversos eventos culturais e educativos sem interferência nas atividades científicas do Centro de Pesquisas.

       Deste mesmo Centro de Convenções parte o eixo principal -- o Norte-Sul -- considerado a viga mestre que articula todas as atividades de produção científica.

       Estas são desenvolvidas nos laboratórios e escritórios no pavimento térreo e nos dois pavimentos superiores. Como apoio, existem as salas de visualização do Centro de Realidade Virtual (CRV), do Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), a Biblioteca no 1º pavimento e o Holospace, que fica num bloco separado Este mesmo eixo existe nos dois níveis (térreo e 2º pavimento) constituindo a principal circulação dos usuários, tanto internos e externos.

       
Vista do túnel central, por onde passam os pipe-racks
Na extremidade norte do eixo situa-se o restaurante central e o orquidário, que se interligam ao prédio central. Este eixo articula também todo o sistema de energia, através de um pipe-rack, originário da central de utilidades de onde partem -- na mesma altura -- um pipe-rack principal que atende aos laboratórios. Em seu extremo sul, o pipe-rack principal se liga ao armário de instalações da passagem subterrânea, passa pelo edifício atual do Cenpes e vai até os edifícios Empreiteirópolis, Almoxarifado e Oficinas por meio de tubovia.

       Ao longo de toda sua extensão, o pipe-rack passa dentro da projeção do prédio central, salas de painéis e equipamentos, interligando também aa casas de máquinas, baterias e centrais setoriais de ar condicionado, definindo o 1º pavimento como uma grande área técnica.

       O sistema viário foi definido de maneira que todos os espaços de trabalho sejam atendidos por circulações de serviço, permitindo a circulação independente dos veículos necessários para a operação dos edifícios, bem como para eventuais obras de alteração ou ampliação dos mesmos.

       
O uso do aço na estrutura trouxe diversas vantagens
Inclusos no sistema viário, os estacionamentos foram minuciosamente pensados ocupando posição estratégica no complexo. Localizam-se nos espaços vazios, distribuídos em função de cada área de trabalho. A parte destinada aos ônibus fica no setor sul com acesso também pela avenida, facilita a entrada e saída dos veículos coletivos.

       Vale ressaltar ainda que, todas as soluções tiveram embasamento científico, em relação à urbanização, arquitetura e arquitetura de interiores, aos sistemas de conforto ambiental e eficiência energética, aos sistemas prediais de utilidades, aos sistemas construtivos e estruturais e à recomposição dos ecossistemas naturais.

       Porque usar aço na estrutura?

       Atendidos os requisitos de implantação, era preciso definir princípios arquitetônicos para os edifícios em si, formando a base para o projeto arquitetônico. Para tanto, Zanettini definiu alguns princípios:

       • Permeabilidade no olhar
• Simetria e regularidade da estrutura
• Equalização de vãos e dimensões das peças
• Padronização de usos
• Facilidade de transporte e organização do canteiro de obra
• Racionalização de materiais e mão-de-obra
• Metodologia e rapidez de montagem
• Clareza nos detalhes
• Reversibilidade com uma possível desmontagem

       Em relação aos laboratórios em si, algumas especificações adicionais foram feitas:

       • A fundação seria feita com vigas baldrame sobre blocos e estacas pré-moldadas de concreto.
• A sustentação da cobertura de sombreamento e suporte do pipe-rack seria feita com uma grelha de em perfis metálicos com modulação ortogonal típica de 10 m;
• Montagem do plano de cobertura dos laboratórios em vigas mistas com vãos típicos de 10 m, espaçados ao ritmo de 2,5 m para adoção do sistema de forma-laje, utilizando grelha como suporte para permitir içar as vigas na execução de acréscimos de novos módulos, sem interferência com os espaços em funcionamento;

       

       A estrutura metálica permite a ampliação das instalações, sem grandes transtornos para o funcionamento do complexo
Especificamente para os escritórios definiu-se que:

       • A unidade central usada para a circulação e o pipe-rack será um pórtico com rigidez suficiente para que dele saiam -- em balanço -- os braços dos escritórios;
• A execução de uma ala pode ser feita independente da ala oposta
• A seqüência dos módulos pode ser feita ao longo do eixo central pelo processo de lançamento de aduelas (Parte de arremate dos vãos de portas ou janelas que guarnece o vão , e recebe as dobradiças) sucessivas, com escoramento provisório neste próprio eixo;
• A estrutura mantém o módulo de 2,50 m, permitindo solução integrada entre os elementos de laje sem necessidade de escoramento. Ou seja, a estrutura é o seu próprio cimbramento;
• A cobertura de sombreamento é feita com chapa perfurada sobre a estrutura espacial. Assim, desempenha a função de pulmão para a respiração das coberturas ajardinadas e preserva a transparência do espaço, com luz natural.


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